Então que eu tava lá linda, leve e solta, na última hora do meu dia (todo mundo trabalha das oito às seis; eu dorminhoca entro às nove, saio às sete). O departamento fica deserto das seis às sete, uma beleza. Melhor hora pra trabalhar. Sempre sobramos eu, tiozinho corintiano que senta ao meu lado e a secretária capacho.
Estava eu aproveitando aquela hora tranqüila do dia pra organizar e-mails, atualizar os arquivos, formatar uns contratos a serem impressos. Trabalhinho de corno nosso de cada dia.
Tiozinho corintiano ao meu lado coloca os fones, compenetrado, olhando sério para a tela. Continuo com minhas formatações. E de repente, ouço. Um gemido. Vários. Tapas, oh yeah, oh yeah.
Não sei o que tiozinho fez, se encaixou mal os fones, se o som estava alto demais. O fato é que ele estava vendo filminho pornô no trampo. E EU ESTAVA OUVINDO FILMINHO PORNÔ QUE O ALHEIO TAVA VENDO DO TRAMPO.
Eu não sabia o que fazer. O diretor podia passar por ali a qualquer momento, poderia ouvir. PODERIA ACHAR QUE ERA EU. Meti um ctrl+p no documento que eu estava formatando, corri para a impressora. Quinze páginas, bem devagarinho. Peguei, arrumei, entortei e desentortei o maço de papel, e o tiozinho lá, COMPENETRADO. Saí à caça do grampeador, grampeei, e ele lá. Não tinha mais o que fazer: só se eu fosse ao banheiro levando os contratos. Voltei pra minha mesa, e ele AINDA estava vendo os vídeo de sacanagem. E eu AINDA ouvia.
Larguei o contrato e fui ao banheiro. E lá fiquei rindo por bons 10 minutos. Voltei, tiozinho já tinha desligado o computador e ido embora. Ufa.
E a noção, gente? Cadê-la?